É tudo tão claro Por que só eu não vejo o que me aflige? É tudo tão nítido o alvo, a meta, o prazo Por que eu não encaro? É tudo tão simples o chegar, o partir o deixar ir e vir Por que não acredito? Eu sinto, estão aqui na ponta da língua, as palavras os conceitos, os planos Tá tudo bem resolvido não há enganos Por que não acelero, sigo em frente? É tudo tão claro, nítido e simples A verdade contundente A adequação, os risos, enfim aquela tal de realização. E por que, não? Michelle Araújo, 03/11/11
Estou particularmente nostálgica hoje.
Sinto falta do amigo que, além de livros, me emprestava a sua lucidez.
Do pai emprestado, me faltam os gestos carinhosos, muitas vezes inesperados.
Da amiga mais antiga, tão bom recordar sua farta memória, lembrando de detalhes das mais curiosas histórias.
Da tia já não tão novinha, as brincadeiras em frente ao espelho, na tentativa de adivinhar o futuro: quem será a mais bela?
Da professora de artes - e também amiga -, as atitudes desmedidas, espontâneas, divertidamente extrovertidas.
De uma certa paixão, o calor, o frescor, o sabor, a contemplação e a diversão. Tudo ao mesmo tempo aqui dentro e lá fora.
De um amor bem antigo, o ombro amigo, o afago no ego, a companhia mesmo à distância, a lembrança em fases de esquecimento.
Da amiga – agora distante, a coragem, o despreendimento, a alegria errante, os amigos constantes em qualquer lugar.
Dos companheiros de festa, retratos de uma época feliz, sem temores, sem dores, repletas de amores fugazes.
De alguém que se foi, a garra, o jeito tão leve de encarar a vida, uma grande tolerância, sabedoria em pensar – e agir – diferente.
Do amigo improvável, vindo do outro lado do oceano, as descobertas de um novo -velho – mundo, cheio de sabores e prazeres.
Do relacionamento mais longo, promessas, erros, acertos , enganos e o melhor presente do mundo, que é um capítulo à parte.
Mas, não, isso não é despedida, é uma carta sincera, de agradecimento a tanta gente querida que quero voltar a sentir.
Michelle Araújo, 26/07/11
Vontade de falar com alguém que eu nem sei quem é. Talvez eu até saiba, mas parece não fazer mais sentido.
Depois que o tempo passa fica aquela sensação de fotografia amarelada. Você puxa a memória em busca de respostas, datas, conexões. E aí vem a dúvida: fiz parte disso? Quem sou eu nesta foto?
Michelle Araújo, 25/07/11
Tenho escrito para alguém que conheço desde que me entendendo por gente, mas tenho escrito especialmente para quem ainda vou conhecer. Tenho escrito pra mim.
Michelle Araújo, 24/07/2011.
A paz é aquela coisa que se você procurar exaustivamente jamais vai encontrar. Se agir como quem não quer nada, ela te alcança.
Michelle Araújo, 24/07/11
Você acha que ser um tanto diferente é uma de suas virtudes, mas não entende quando alguem age, pensa ou fala de uma maneira que você nunca faria.
Michelle Araújo, 24/07/11
Com tato é possível ir além.
É possível chegar lá onde é permitido sentir.
Com tato – pasme! – você consegue ouvir.
Dá até para enxergar o que os olhos não vêem.
Com tato é provável conseguir um pouco mais
Do que um triste bom dia ou um ‘te ligo amanhã’.
Contato: um pouco mais é preciso.
É que o mundo está cheio de discursos vazios.
Michelle Araújo, 21/06/2011
A ingenuidade liberta, livra-nos das amarras do “não”. É ela que nos deixa seguir em frente. E, por ignorar qualquer iminência de perigo, se impõe e põe o medo em seu devido lugar.
A ingenuidade fica absorta em suas idéias, em seus desejos e vai… É impetuosa e carrega consigo uma boa dose de ousadia. Desconhece contratempos e tem fé. Uma fé avassaladora. Que escala montanhas em pensamentos e, de quebra, aproveita muito bem a vista.
Michelle Araújo, 15/06/2011
A palavra certa, a dose certa, a hora ideal. Insistir ou deixar ir? Viver é fazer escolhas – mas é também deixar-se levar.
Michelle Araújo, 1° /05/2011.
Quando a gente se acostuma com a ventania é porque tá na hora de valorizar a brisa. E vice-versa.
Michelle Araújo, 13/05/2011.