Entrevista póstuma

Sentada, na sala fria, entrevisto meu interlocutor.

Os óculos à ponta do nariz, caneta em punho

e os olhos em busca de uma linguagem corporal.

As palavras, por vezes sutis, encobrem a dura realidade,

Mas os gestos, o modo de olhar – ah! – como falam.

Há que se encontrar uma resposta que valha

Uma pista bem próxima do real.

– Quando se deu o ocorrido, quando o encanto do cupido se desfez…

no que você pensava? Foi o jeito dela que te embriagou?

Foi a carência velada, mas revelada aos poucos?

– Foi o pranto audível vindo do seu coração?

– Teria ela usado palavras cruas e duras?

– Teria você enjoado de sua nudez?

Ou a pergunta certa não seria nenhuma dessas?

– Foi o que você sentiu – repulsa?

– ou o que você não sentiu – prazer, contentamento?

Talvez a resposta não caiba em “porquês”, mas em quando…

– Quando você percebeu que era hora de partir?

Michelle Araújo, 09/03/14

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