Abalo sísmico

Quem me conhece sabe que eu sou do tipo que mantém a calma nas situações mais tensas. Até aquele mega esporro do chefe dificilmente me tira do prumo. Mas há aqueles momentos em que tudo parece estar numa boa, até que você sente seu corpo tremer incontrolavelmente. Um verdadeiro terremoto.

É ali que você percebe que a racionalidade foi pro espaço apesar de tentar se convencer de que tudo que pode acontecer – ou não – no minuto seguinte seria extremamente natural e a grande maioria dos seres humanos já deve ter passado por isso.

Mas na hora, a tensão do momento suspenso – o vir a ser dos próximos segundos – faz você acreditar que, sim, começou a nevar naquele instante, em plena primavera tropical.

Foi assim aos meus treze anos e é assim ainda hoje. Os longos dois ou três minutos – quem cronometra? – que antecedem o mais desejado beijo dos seus últimos tempos são uma verdadeira avalanche de sentimentos. Com direito à frenética movimentação das placas tectônicas das suas pernas e um borbulhar intenso do vulcão que agora ocupa o seu estômago.

Todos estes fenômenos – digo, sintomas – exprimem o simples medo de perder a oportunidade. O receio de que, por um milésimo de segundo, uma interrupção ou uma incerteza crescente mude o rumo do beijo suspenso.

Ah, o porvir!!

12/09/2012

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