Adorável surpresa

Estava ligada no Twitter quando minha amiga e xará @michelexavier tuitou uma frase de Clarice Lispector, seguida de um link. Como adoro a obra dela (e aliás estou há dias me prometendo um post especial sobre ela aqui), cliquei. O endereço levava para a o poema a seguir, Súplica, de Miguel Torga, um autor português, que acabei de conhecer. O link da Michele estava errado, mas para mim, a descoberta foi certeira.
Enjoy it!

SÚPLICA

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

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