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O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro

Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas

Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro

Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho

Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto

Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro

“Conforme Humberto Werneck, quando se aproximava dos 50 anos, Chico cantava pela casa: “Vou fazer 50 anos/ Sou artista brasileiro/ Sou do Rio de Janeiro”. A crise da idade foi, portanto, a mãe dessa canção, que é uma brincadeira com a mania que Tom Jobim tinha de discorrer sobre minha árvore genealógica dizendo: “O meu pai era gaúcho, o meu avo era do Leme, em São PauIo, o meu bisavô era cearense, e eu sou até primo de Vinícius”. A loira desemboca numa homenagem em que, na genealogia musical do autor, Tom ocupa o papel de maestro soberano, ao lado de outros tantos “parentes”. Chico lembra que na ocasião em que fez a canção, sabendo que Tom já não tinha muita paciência para ouvir música, mandou-lhe um bilhete dizendo: “Ouve só esta”. Sentado numa mesa de bar, Tom redigiu um bilhete agradecendo a homenagem.

Chico, my love

A tua homenagem me deixou estarrecido. Estou desvanecido, deliquescente, maravilhado, sobretudo porque é Para Todos, para mim, para você!

Eu sempre tive a idéia de fazer uma música para todos, falei com o Vinicius e ele fez com o Baden o “Samba da bênção”, a minha toada nunca aconteceu. Mas agora aconteceu! É bom amar depois de perder, estou um pouco inebriado tomando Fernet branca, imagina! A mesa tá muito busy. Beijo, beijo, beijo, beijo.

Tom Jobim

Tempos depois o maestro deu ao seu último disco o nome de Antônio Brasileiro, como é tratado na letra de Chico.”

Bilhete do Tom ao Chico

Bilhete do Tom ao Chico

Texto extraído do livro CHICO BUARQUE – Histórias de Canções, de Wagner Homem

Maria Gadú

Não sei se todos já ouviram falar de Maria Gadú. Ela é considerada a nova sensação do cenário musical brasileiro. Uma paulistana radicada no Rio, 22 anos com uma voz deliciosa. Explico: o timbre dela é daqueles meio roco, meio preguiçoso, gostoso de ouvir. Super afinada, Maria Gadú ainda tem um excelente gosto pra repertório e arranjos.

No seu CD de estréia, destaco 2 faixas: A História de Lilly Braun (Chico Buarque) e Baba (Kelly Key). Tudo é bom (tem várias levadas gostosas, vale ouvir o CD todo) mas estas duas tem um sabor especial.

A versão dela para a música do Chico ficou totalmente jazz, com muito swing, totalmente solta. Com certeza Chico deu um sorriso…

A releitura de Baba (aquela Baba Baby) me impressionou mais pelo fato de, na sua versão original, ter ficado com uma cara específica – aquela cara de que vai ser aquilo e nunca ninguém vai querer mexer com ela.. Engano total: a versão da Maria Gadú, acústica, deixou espaço para se ouvir sua voz envolvente e a música ainda ganhou nova vida no arranjo intimista e exato. Sem mais nem menos. Foi o que tinha que ser. Mais um ponto pra ela.

No CD tem ainda uma versão de “Ne Me Quitte Pas” (Jacques Brel) e a famosa (tá na rádio direto) “Shimbalaiê”, que se significa algo, desconheço…

Escolhi para o VideoPoema desta semana uma música de Chico Buarque, uma das obras reunidas no livro Tantas Palavras, uma biografia do compositor. Com vocês: “Qualquer Canção”, na minha opinião uma deliciosa poesia.

Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem…

E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava…

Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem…

E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço…

Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem…

Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva…

Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes…


Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons

Acho que todo mundo já recebeu por email algum texto, quase todos muito bonitos mesmo, atribuídos a escritores/artistas conhecidos. Você se empolga e repassa, quase que como em uma corrente SPAMica.

Um belo dia, você – sabe lá Deus porque – dá de cara com o tal texto, em algum blog, sendo alvo de vários comentários onde sua autoria é questionada. Como pode isso?

Eu mesmo, postei aqui no blog um texto atribuído ao Mário Quintana, Certezas, que na verdade já encontrei umas TRÊS referências de autores distintos!! Apesar do texto ser maravilhoso, alguns já explicaram (com N razões eruditas a respeito da vida e obra do Mário Quintana) que não poderia ter sido escrito por ele. Bom…

Uma coisa é certa, se não fosse esse erro lítero-cibernético, eu talvez não tivesse ido atrás de conhecer toda a obra do Mário Quintana – virei fã!

Quero deixar claro que iremos corrigir os créditos do texto CERTEZAS, assim que descobrirmos – com segurança – quem é realmente o autor (autora).

Tinha um outro texto que circulou por emails afora, atribuído ao Chico Buarque (também aqui no blog), agora com os créditos certos. Peço desculpas a autora (Fátima Irene Pinto). Sempre que isso acontecer, corrigiremos o quanto antes.

Se alguém sabe, com segurança, quem é o autor do CERTEZAS, avisa!!

Mi no Twitter!!

Edd no Twitter!!

 

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