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Sintam o poema abaixo e me digam: será possível ler Quintana sem se apaixonar? Será possível entrar em contato com a obra do poeta sem amá-la? Se você, por algum motivo ficar indiferente a esta poesia, por favor, vá logo tratar esta melancolia!
Com vocês, Amar!
AMAR
Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer…
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei…
O amor é quando a gente mora um no outro.
(Mário Quintana)
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui…além…
Mais este e aquele, o outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…
Florbela Espanca, in Charneca em Flor (1930)
* Esta é outra poeta sensacional, que admiro muito. Florbela Espanca (nome intrigante, não?), nasceu em Alentejo, Portugal, em 1894, e faleceu em 1930. Difícil imaginar numa primeira leitura que este seja um poema tão antigo. Belíssimo e ao mesmo tempo tão atual. Outras obras dela aqui.
