Estou particularmente nostálgica hoje.
Sinto falta do amigo que, além de livros, me emprestava a sua lucidez.
Do pai emprestado, me faltam os gestos carinhosos, muitas vezes inesperados.
Da amiga mais antiga, tão bom recordar sua farta memória, lembrando de detalhes das mais curiosas histórias.
Da tia já não tão novinha, as brincadeiras em frente ao espelho, na tentativa de adivinhar o futuro: quem será a mais bela?
Da professora de artes - e também amiga -, as atitudes desmedidas, espontâneas, divertidamente extrovertidas.
De uma certa paixão, o calor, o frescor, o sabor, a contemplação e a diversão. Tudo ao mesmo tempo aqui dentro e lá fora.
De um amor bem antigo, o ombro amigo, o afago no ego, a companhia mesmo à distância, a lembrança em fases de esquecimento.
Da amiga – agora distante, a coragem, o despreendimento, a alegria errante, os amigos constantes em qualquer lugar.
Dos companheiros de festa, retratos de uma época feliz, sem temores, sem dores, repletas de amores fugazes.
De alguém que se foi, a garra, o jeito tão leve de encarar a vida, uma grande tolerância, sabedoria em pensar – e agir – diferente.
Do amigo improvável, vindo do outro lado do oceano, as descobertas de um novo -velho – mundo, cheio de sabores e prazeres.
Do relacionamento mais longo, promessas, erros, acertos , enganos e o melhor presente do mundo, que é um capítulo à parte.
Mas, não, isso não é despedida, é uma carta sincera, de agradecimento a tanta gente querida que quero voltar a sentir.
Michelle Araújo, 26/07/11

1 comentário
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27/07/2011 às 9:38 am
Rê
Como coloca Woody Allen, no filme Meia noite em Paris, sempre poderíamos estar em uma outra época, em um outro momento, em um outro lugar que não seja o presente. Talvez porque esse presente nos exija ter os dois pés no chão e o passado/futuro é permitido flutuar, viajar, voar e sentir com mais intensidade as coisas. Além de tudo o que passou, há muita coisa ainda pra viver. Portanto, permita-se
Beijo, saudades!